domingo, 3 de julho de 2011

A REALIDADE POÉTICA DE AMAR

AMAR


Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,

Este nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidias ou nulas,
doação ilimitada e uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.


(Carlos Drummond de Andrade)

6 comentários:

Anônimo disse...

O AMOR TEM ESSA FORÇA!

Darwin Bruno disse...

Linda poesía Maria. Te agradezco tu visita a mi espacio y tus comentarios también.Te envío un saludo fraternal desde aquí.Que tengas un día lleno de paz y armonía. Feliz día Maria. Dios este contigo.

Meire disse...

Querida, obrigada pelas palavras gentis :)

Ah, amar!! É para isso que estamos aqui, amar sempre mesmo quando for difícil, amar requer coragem do nosso coração.

Boa semana pra ti, bjokitas com carinho!

Maria do Rosario disse...

E ESSA FORÇA É QUE MANTEM ACESA A CHAMA.

Maria do Rosario disse...

Te agradezco también,

Que tengas un día feliz.

Maria do Rosario disse...

Pois é Meire, o amor é um sentimento dos fortes e corajosos.
Mas o que seria nós sem esse sentimento tão singular, mas que nos faz viver com mais esperança de felicidade.

Um beijão