quarta-feira, 30 de março de 2011

BOLO DE LIMÃO

MINHA SOBRINHA RAFFAELA FEZ UM BOLO DE LIMÃO NO FIM DE SEMANA,  TEVE UMA EXCELENTE ACEITAÇÃO,  ALÉM DE MUITO SABOROSO É DIVERTIDO POR SER COLORIDO E APRESENTADO DE FORMA INDIVIDUAL.

                                          SEGUE RECEITA


Imagem meramente ilustrativa

INGREDIENTES

Três ovos
Meio copo de óleo
Um copo de iogurte natural
Um pacote de mistura para bolo sabor limão
Uma colher de sobremesa de fermento em pó
Uma gelatina em pó  sabor limão

Bate na batedeira os ovos, o óleo, o iogurte natural e a mistura para bolo, desliga e acrescenta a gelatina em pó e o fermento, mistura delicadamente e assa em forno pré aquecido por quarenta minutos.

COBERTURA:

Uma lata de leite condensado
Suco de um limão

Bate na batedeira até ficar firme, cobrir quando o bolo estiver frio.

Para decorar roledas e raspas da casca do limão (opcional)

PS. Você pode cobrir com chocolate (ganache) ou maximellow com frutas, conforme foto acima

sexta-feira, 25 de março de 2011

MARIANA

"Querer não é poder. Quem pôde quis antes de poder, só depois de poder. Quem quer nunca há-de poder, porque se perde em querer."

Ela é minha filha,  Mariana e está nos EUA. Nós falamos quase que diariamente  através da skype. Isso é muito bom porque aplacamos um pouco a saudade, e eu vejo a carinha dela! Rs.
Ontem falávamos justamente dessa quebra de comunicação que acontece quando os filhos crescem.
Em nosso caso, foi preciso ela ir morar fora para entender-me, agora estamos iniciando a restauração da relação mãe e filha. Me sinto gratificada a cada passo que ela dar adiante.
Mariana é quase um milagre em minha vida, minha gravidez foi de alto risco. Fiquei na cama durante os três  últimos meses de gravidez. Ela nascem muito frágil, que seu Pai a chamava de cristalzinho.
Quando Mariana tinha seis meses de vida,  precisei interromper a amamentação.
Começando assim "o querer mesmo sem poder."  Fernando Pessoa, traduz exatamente o que nos ocorreu na época. - Mariana nasceu com alergia a proteína, sua primeira mamadeira desencadeou a manifestação dos sintomas, que acho desnecessário relatar... Foi uma dura batalha, o avanço da medicina ainda não tinha chegado ao patamar de hoje.
O diagnóstico só veio quando ela já estava muito debilitada num leito de UTI. O tratamento foi muito duro para nós duas. Os médicos  foram pragmáticos: Não há mas o que se fazer...
Levei Mariana para casa e comecei um tratamento orientado por um médico que tinha fama de cientista e que a meu ver tinha uma certa coerência.
A dieta se resumia em rã e coelho, arroz selvagem e inhame, feito canja.
Banana verde assada e processada, maçã cozida no vapor e leite de soja com adoçante. Em pequenas quantidades de três em três horas, vinte e quatro horas por dia.
Suco de acerola, apenas uma colher de sopa ao dia.
Por causa da baixa imunidade ela tinha todas as( its) amigdalite, faringite, rinite...e assim por diante.
Enfim... Não tenho intenção de tornar essa leitura chata, gostaria apenas de usar esse veículo de comunição como um possível alento aquelas mães que como eu na época precisam de uma luz.
Naquela época Dr. Sthuraro já falava: Ela só está vida por sua força de vontade.
Foi o nosso querer a melhor arma nesta batalha.
" Quem pôde, quis antes de poder só depois de poder."
Todo sacrifício valeu a pena, Mariana hoje é uma linda mulher. Apesar de ter ainda alguns sintomas da alergia, principalmente agora, estando  em outro País onde os organismos também tem suas diferenças.
Foi o que aconteceu ontem, ela pediu ajuda através da dieta que até hoje recorro porque todo processo levou dois anos e meio. E o melhor é que nos falamos horas depois e ela tinha melhorado bastante, e hoje amanheceu bem.
"Quem quer nunca há-de poder, porque se perde em querer."
Mari! Você é muito valente, mesmo ainda em sua inocência infantil lutou bravamente pela vida, conseguimos superar essa adversidade através da cumplicidade de mãe e filha.
Aprendemos uma grande lição: Querer não é poder, nossa batalha continua, devemos agora viver de forma mas leve, a convivência é mesmo uma tarefa difícil, se não houver um grande empenho das partes envolvidas, fica quase impossível viver em harmonia.
Ainda temos muito o que aprender.






terça-feira, 22 de março de 2011

SAUDADE DE MACEIÓ



Praia de Pajuçara




Pajuçara seus passeios
folhas verdes
de coqueiros esbeltos,
vertentes
das barras em  Lagoas,
minha amada curvilínea
cintura de violão

Dai-me as ondas
que sacodem
teu corpo dourado
minha namorada,
deixai-me ao este ver
seu anoitecer
num colar de arecifes
 eterna jóia rara
e a meus pés só o branco
sua frágil espuma
onda do mar


Amor dos meus amores
terra linda
quando volte
irei correndo à tua  proa
de barcos terrestres
e assim velejaremos
confundidos
até que tu me cubras
e eu possa contigo ternamente
ser vinho que embriaga encontro
falezias de tuas alturas
marolas é teu suave movimento

 
(Rosário Lyra)

segunda-feira, 21 de março de 2011

ISSO EXISTE?


Imagem meramente ilustrativa

"PROCURA-SE:
Um homem cem por cento. Deve ser brilhante, criativo, divertido, capaz de intensa intimidade e alegria. Deve querer partilhar música, natureza, uma vida pacífica, serena e alegre.
Deve amar,  e querer aprender sempre. Bonito,alto, esbelto, lindas mãos, sensível, gentil e amoroso. Tão afetuoso e sensual quanto possível.
Deve ser emocionalmente estável, honesto e digno de confiança, uma pessoa positiva e construtiva. Altamente espiritual, mas não de religião organizada. Deve amar a vida e tudo que faz. Ter  paciência para ouvir e esperar, precisa saber amar...
 PARA UMA ALMA GÉMEA:
Cem por cento fêmea em corpo humano. Independente, aventureira, profunda sabedoria. De preferência capacidade para iniciar e reagir criativamente em diversas formas de comunicação. - Olhos gloriosos, corpos deslumbrantes e longos cabelos . Curiosidade brilhante, capacidade voraz para aprender. Preferência para profissional em diversos campos criativos e empresariais, experiência em cargos de alta administração.
Intrépida, disposta a assumir todos riscos, felicidade garantida a longo prazo".


Recebi via e-mail este anúncio junto a uma solicitação para publicar!

Achei engraçado de início, deixei de lado por uns dias, mas alguém me falou: O mundo padeçe de solidão.
Resolvi então postar. Minha opinião? -  O homem cem por cento não atende suas exigências, Mulher Maravilha!!
De qualquer forma deixo aberta inscrições no campo comentários:))


sexta-feira, 18 de março de 2011

HOJE SERIA VERÃO!!


Imagem meramente ilustrativa

        

Saudade...  Fiquei presa na estação, outrora definida
Aqui se fez inverno no verão, careço outono, me planto no inverno
Ah! a primavera... se flor séria rosa

Na cinzenta tarde, nos raios e trovões se fez minha insônia.
Intenso inverno, sinto o liquido som do vento. Frio cortante.
Por medo da  tempestade entristeço de pronto.

Não posso ser sem outono
  sou folha outrora verde que  voa ao vento e  volta à terra pálida de siena.
Conforto, encontro na madeira que alimenta o fogo da lareira,
 caricia de peles macias...
Luvas, chapéus, echarpes, cachemir,cardigans...

É tempo de ressurgir nas cores da primavera,
vermelho, amarelo, lilás, verde e rosa,
respirar perfume de flores, assistir a semeadura do pólen,
 o nascimento dos brotos
vida surgindo, florescendo, amadurecendo frutos,
 quero comer tua pele intacta amêndoa.

Sentir o calor no verão dourado, tua pele morena,
 maçãs do rosto cor de jambo.
Ouvir redondo o barulho do sol amarelo brilhante
 raios surgindo dourados 
deitando no azul do mar profundo ao entardecer prateado...

Não mudo as estações do ano
Para seguir te olhando
Isso é quanto te quero
Sucede que tanto vivi
Chego a me crer pomar
Flores alegres, fruta madura, avelãs escuras,
Gosto silvestres de beijo primaveril

(Rosário Lyra)

quarta-feira, 16 de março de 2011

DESAFIO



Essa é uma  mostra da minha intimidade,  meu  atelier! -Um pequeno e improvisado lugar no qual trabalhei por várias horas nos últimos dias, na tentativa de pintar uma tela para uma querida amiga, mas depois de duas telas inacabadas por não ter conseguido o resultado esperado, acabei por desistir. Gostaria de pintar girassois, sua flor predileta.
Isso me deixou incomodada porque tudo que artista precisa é sentir veracidade em seu trabalho, não tenho formação académica em Belas Artes, nem faço disso minha principal fonte de renda, mas dou lá minhas pinceladas de vez em quando, e geralmente consigo um bom resultado. Confesso que escrever, é para mim também muito difícil as vezes, mas o desafio da tela em branco, não fica muito atrás em termos de comparação.
Para  nós artistas, é por vezes uma tormenta pintar uma simples tela, diria que esse não conseguir é como uma armadura que nos reveste ao mesmo tempo que não nos protege do nosso querer.
Mas não penso ser esse um privilégio apenas do artista ou pintor, para mim em qualquer tarefa que requer criação é as vezes angustiante, pois quando simplesmente preciso fazer o meu trabalho, no qual tenho anos de experiência, acontece o bloqueio, aí dou uma parada, vou para outra tarefa e depois retomo o inacabado exatamente onde parei. E como num passe de mágica, acontece.
Mas desta vez eu não consegui colocar na tela pincelas que já conheço, repetindo apenas um processo habitual, e isso me fez parar para pensar entendendo que não é tão simples assim.
Foi como se o pincel não respondesse ao meu comando, me levando a entender o artista como um mensageiro ao exercer seu ofício, sendo a tormenta sua companheira neste processo de doação, pois precisa deixar  impressa sua essência em seu trabalho, não importa qual seja.
Sempre fui muito atrevida, e quando o assunto era desafio eu adorava, pintei telas muito mais elaboradas e que só me tomaram poucas horas de trabalho.
É claro que não vou desistir, mas quando pegar novamente o pincel diante de uma  tela em branco, terei   a consciência de que se trata de um  ato em que se é apenas um condutor, e não a libertação total que eu achava ser talento.
Na tela conseguimos deixar desabrochar uma profusão de cores, que ao seguir sua escala e  perspectiva, revela nosso trabalho, com a harmonia e a verdade, antes presa dentro de nós, clamando por soltar suas asas no espaço que as contém fora das linhas do desenho, pois é ali que se perde ou se faz acontecer.
Não importa qual seja o tema, nem se ele foge do seu estilo, porque quando ainda é  matéria prima a obra pede ao artista que deixe emanar seu existir, como uma canção de liberdade. E ao terminar,  tudo que o artista anseia, é ouvi-la cantar de todo coração;  e certamente não se contenta quando perde sua essência de coração ao não conseguir cantar-la.
Portanto,  agora prefiro não mais julgar ao artista por seu prazer ou sofrimento ao criar e executar sua obra, mas deixa-lo procurar, porque sem dúvidas eles encontrarão o prazer juntos.
Charmosa! A tentativa foi para você, e ao desenhar já a segunda tela, sozinha com meus pincéis,  ansiava pelo momento de chegar à sua casa com a tela e ver seu sorriso. Esse que só você sabe sorrir...rs, e agora apenas ouvirei você dizer: "Oh minha amiga! Não foi dessa vez, paciência..."
Fica registrado aqui meu descontentamento e incompreensão, mas também a certeza de ter ficado uma grande lição. Uma tela em branco é sempre um desafio!






quarta-feira, 9 de março de 2011

OS MUROS DO JARDINS

Vista de São Paulo

Abro a janela, vejo o horizonte, e sei que fui feliz aqui, mas sinto que  chegou a hora de soltar minhas amarras e seguir meu caminho, sem olhar para traz, seguindo em busca dos meus sonhos, pois construi minha vida com   muito esforço, mas com a esperança de ter um dia o merecido descanso, assim como o que um guerreiro precisa  após uma dura batalha.
Não consigo encontrar um meio termo nesse caminho, me parece que meu repouso se faz assim como o de um nômade que há em mim, sempre distante e solitário.
Sinto que minha casa é meu corpo ampliado. Sonhei poder um dia colher minha casa da cidade grande e planta-la no litoral de Alagoas, afim de que pudesse ouvir o silêncio ou apenas o farfalhar das folhas dos coqueiros.
Mas sigo só, não sabia que o meu amanhã seria esse hoje  surreal. O alto da minha colina é uma janela do vingéssimo quinto andar de um edificio, tudo que vejo  é este mar de cidade representado na foto acima, cidade que até gosto, mas que não dorme, e onde tudo acontece, portanto não encontro a paz desejada, mas não teria como ser diferente. Moro numa Alameda movimentada e barulhenta, com carros, enfileirados e sufocados em engarrafamentos. Olhando aqui de cima ao cair da tarde a visão é  luminosa e brilhante vinda dos farois que lampejam, como vagalumes atormentados.
O que eles fizemos de suas vidas, me questiono, penso que por temor se juntaram perto demais uns dos outros.
 E quanto tempo sera que esse medo pode durar,  porque os muros das grandes cidades nos manteram afastados de nossas essências.
Careço de uma casa sem muros agora, amadureci de tanto que sofri procurando me afastar.
Penso em tudo isso enquanto caminho pelas alamedas dos jardins e tenho uma curiosidade:
O que terá dentro dessas casas?
Que tesouro tem guardado atrás dessas portas trancadas?
Quizera tivesse a paz,  mas não é esse anseio tranquilo que revela tanto poder.
Na realidade tem a beleza que levam de seus corações para essas coisas feitas de madeira e concreto, denominadas de conforto, essa coisa furtiva que entra em suas vida como convidado, depoís se tornam hóspede e com o tempo senhor.
Por que não conseguem se livrar da insônia e do estress quando estão em suas camos, e seus lençois  os embalam para dormir, são os mesmos que os acordam na realidade dessa vida que existe fora dos seus portões, e é de dentro do conforto dos seus carros e através de suas janelas, que se deparamos nas ruas com realidade nua e crua, e que  ao obdecer a sinalização de transito param nas esquinas que assassinam os sonhos das crianças exploradas pela paixão do conforto da alma, zombando de seus sólidos sentidos.
Não quero mas para minha vida esse repouso inquieto, domado ou preso em armadilhas.
Sonho que minha casa seja onde eu puder estar, desejo apenas que seja simples, ampla e arejada. Preciso que tenha um jardim de verdade e que suas cores me inspirem como artista plástica, para que possa seguir pintando as coisas como eu as sinto e não como as vejo. Desejo também uma pequena horta,  e que dela eu possa colher os frutos da esperança, e que possa levar esses frutos para minha cozinha, e transformar-los em aromas e sabores de amor e ternura, e que a comida ali servida possa aquecer e alentar corações sofridos, mas que seguem confiantes e esperançosos porque acreditam no amor pela vida.
E que eu não perca minha capacidade de renascer,  para que junto a meus netos, possa novamente sorrir
um sorriso puro, fruto da felicidade da renovação da vida, que só se faz possível através das crianças!







terça-feira, 8 de março de 2011

sexta-feira, 4 de março de 2011

O CARNAVAL DA LAGE

"RECORDO OS CARNAVAIS DA LAGE, OS VELHOS TEMPOS QUE NÃO VOLTAM MAIS"


 

Qual Lagense não sente um pontada de saudade no peito ao ouvir essa musica?
Só sabe quem viveu momentos inesquesíveis fazendo o passo de frevo rasgado:
O carnaval começava com a chegada do Zé Pereira,
Depoís tinha a coração do Rei Momo,
Que desfilava com a Rainha do Carnaval passado.

"ATRÁS DO TRIO ELÉTRICO SÓ NÃO VAI QUEM JÁ MORREU"


 
O trio elétrico era o nosso carnaval de rua,
 Raul e Zé Maria reuniam os  músicos Lagenses...
Quando João Pinheiro dava os primeiros acordes
A galeria enlouquecia em frente da Estação.
O trio elétrico era num palco, mas mesmo
assim arrastava multidões dos quatro cantos.
Com o jipão, o mela mela, a alegria e resistência
dos foliões.
Mesmo quem não era Lagense, se perdia
naquela mágica folia que era o carnaval.

O CUBE GENTE NOSSA,  INESQUECÍVEL!





Lembro os grandes bailes com Orquestra no Clube Gente Nossa,
Zé Maria  fazia uma decoração cinematográfica!
As fantasias dos foliões, um deleite aos nossos olhos.
Os blocos escolhiam um tema para cada noite!!
Mas acho que a fantasia do domingo era repetida na terça...


"QUANTO RISO OH, QUANTA ALEGRIA...MAIS DE MIL PALHAÇOS
NO SALÃO,
ARLEQUIM ESTÁ CHORANDO PELO AMOR DA COLOMBINA,
NO MEIO DA MULTIDÃO"


 
Era assim também no carnaval da Lage, aparecia sempre um Arlequim,
amores arrebatadores, que as vezes terminavam com o carnaval!
Mas quando o Pierrot encontrava sua Colombina virava casamento.



                                   "Ô ABRE ALAS, QUE EU QUERO PASSAR"



 
As pessoas fazia um verdadeiro abre alas para ver os blocos passar.
Chegavam vestidas de lamê, lantejoulas, plumas e paetês,  temas convêncionais ou inédito.
Com confete e serpentina, com ou sem  fantasia. Com a toalha no ombro (rs...)
Todos caiam na folia, ninguém ficava parado, ia até o sol raiar!
Na quarta feira de cinzas, a orquestra fazia o corso com os foliões até o pátio da estação,
era a hora do bloco do Bacalhau de Louro Caçula.

terça-feira, 1 de março de 2011

O MISTÉRIO DA FÉNIX


FÉNIX

O vento me convida para um voo livre, mas sou menos impaciente que o vento,minha dúvida me remete a  um caminho mais solitário, pois nunca comecei um dia onde encerrei o outro; e minha alvorada me encontra onde o ocaso me deixou,  mas a vida  há muito me exige um alvorecer cheio de tarefas, mas será que não tem como ser difente? Meu coração me convida à uma aceitação do que meu corpo pede.
"Você é como um coruja, teus olhos notivagos para o dia, não te deixaram desvelar o mistério da luz."
Apenas posso contemplar a noite e abrir meu coração para o corpo do dia, vendo o dia e noite como uma coisa só, assim como rio e o mar o são. Só meu desejo entende meu silente conhecimento do misterioso mundo dos artistas, penso ser apenas uma condutora travestida em frágil corpo, e um espírito grandioso, que enfrenta com bravura a tarefa continua de execução, que se faz em minha entrega, no processo da criação.
Sigo então como uma semente sob a neve, meu coração sonha com a primavera porque sou uma semente tenaz, e é em minha plenitude de coração que o vento me apanha e me espalha,  como a minha voz que não se enfraqueceu ao seus ouvidos, minha  luta pela vida e o meu amor por vocês,  nunca irão  desaparecer em suas memórias.
Sou realmente uma semente tenaz!  germinada e nutrida de puro auto conhecimento, pronta para florescer.
E com o coração mais fecundo e os lábios mais obedientes, voltarei com o amanhecer. E embora a noite possa ocultar-me, e o silencio maior me envolver. Novamente buscarei a compreensão, não o farei em vão, essa verdade se revelará com voz mais clara, em palavras mais afins ao entendimento. Vou-me com o vento, mas não para o vazio; e se esse dia não for a satisfação de minhas aspirações e de meu amor, que seja ao menos a promessa de outro encontro, mudando minhas necessidades, mas não meu amor.
Quem sabe não voltarei  tal qual a Fénix. - Não tem sido sempre assim em minha vida!
Nesse momento solitário, faço a seguinte reflexão: Medir alguém pelo menor dos seus atos,  é o mesmo que avaliar o poder do mar pela fragilidade de sua espuma.
E julgar apenas pelos seus erros,  é como atirar sua culpa a desorientação por sua própria inconstância.
A vida nos submete a erros e o acertos como as ondas do mar, rolando de uma memória selada  que mantém o registro do ontem e a esperança do amanhã, pois esse é o registro de nossa experiencia de vida.
Mas o que encontrei foi maior que a sabedoria. Fui um espiríto inflamado que se alimentou de mim.
Mesmo desatenta a esta expansão, não lamentei o sofrimento de meus dias. Era a vida em demanda da vida.
Não dei promessas, mas a vida foi generosa comigo, deu-me uma sede mais profunda de viver. transformei minhas aspirações em lábios sedentos, e toda minha vida em um manancial.
E nisso está minha honra e minha recompensa, são as ações amorosas e o cuidado que tenho com meus dias e minhas noites, que tornam minha jornada menos solitária e  devolve a minha vontade de viver junto de vocês, ou com vocês...
Vocês me deram muito, e não sabem o quanto. Mesmo assim me tornei arredia, embriagada em minha própria solidão. Penso não poder ter sido diferente, precisava viver como quando um  passáros precisa aprender a voar. Como poderia eu os ver  a não ser de uma grande altura ou de uma maior distancia?
Ninguém pode estar de fato próximo, a não ser de longe, só a solidão nos ensina o verdadeiro valor de família.
Se minhas palavras muitas vezes foram vagas, eu procuro  esclarece-las agora, difícil é o começo de todas as coisas, mas não o seu fim. E eu prefiro que minha vida tenha agora um novo começo.
A vida, e tudo que vivi, foi concebido nas cinzas de uma Fénix e não da fragilidade de um cristal. Mas não sabemos se o cristal não foi cinza um dia. A areia é a materia prima da qual se faz o vidro.
Portanto a partir de agora me alimento disso:
O querer estar viva supera qualquer adversidade, e o renascer qualquer entendimento.