sábado, 8 de outubro de 2011

ESCRITÓRIO

Preciosidades

Nostalgia é pouco, eu diria o que está retratado nesta foto são pequenas relíquias herdadas por aqueles que um dia tiveram o cuidado e carinho necessário para preservar.
Olhando para ela agora chego sentir o cheiro do escritório do vovô Severino, a colônia pós barba misturado ao cheiro do cigarro, que ele não fumava dentro de casa mas mesmo assim o cheiro estava sempre com ele.
Lembro de quantas folhas de papel eu gastei tentando escrever na máquina de datilografia prendendo as teclas ou deixando a fita passar, de quando o grampo ficou preso em minha mão por ter batido no lado contrário, ficar com dedo dormente de tanto fazer círculo com o compasso e rabiscar no risque rabisque, nossa! Eu desenhava muito aquelas paisagens clássicas com casinhas numeradas, janela com cortina, telhado, chaminé, jardim, uns patinhos no lago, montanhas, nuvens e um sol enorme. Ah! e recortar cortiça para colar numa madeirinha para fazer mine carimbos. Depois pintar a barra do vestido e levar bronca.
Passávamos tardes inteiras juntos, ele trabalhando e eu aprendendo trabalhar. Pena que não guardamos nossas preciosidades, dessa época só tenho memórias.
O telefone preto com disco e pesando, a máquina fotográfica que ,ais parecia um acordeon. (sanfona)
Tanto que já adulta eu lembrava muito dele quando papai grampeava a camisa no bolso ou onde caía um botão, só para irritar minha mãe, que falava: Você faz assim e as pessoas vão achar que sou uma mulher que não cuida do marido!

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