segunda-feira, 22 de agosto de 2011

TIETE DO CHICLETE


Imagem do camarote por Leo Azevedo

Era Carnaval de 2003, eu e minha irmã decidimos ir para Salvador, conhecer uma das festas mais famosa do Brasil.
Apesar de não gostar de multidão, mas considerando o fato de que existem festas imperdíveis e com a condição de ficarmos em um camarote por motivo de segurança aceitei o desafio. Assim sendo, comprados os abadás, toda logística que o evento merecia pronta,  pegamos o carro e fomos.
Fiquei em casa de uma amiga querida e encontramos com vários amigos na pipoca do circuito Barra/ Ondina no sábado, formando assim uma grande turma, o que a meu ver é indispensável numa festa assim.
O único imprevisto foi uma séria briga de casal,  ele já era nosso amigo mas a namorada era aquele tipo ciumenta temperamental e obstinada, sempre descontrolada e agressiva, no calor das discussões falava, eu acabo com você! - Fui ficando com medo, principalmente quando ele me escolhia para Cristo e desatinava a desabafar. Gerando um clima de tesão entre todos.
Não sabemos como mas ela nos encontrou em meio a multidão naquela última noite no camarote que como podem ver na foto acima tem estrutura enorme.
É lógico que sua presença ali sugeria problema e ficamos todos apreensivos, não demorou muito para a segurança ter que  convida-la a se retirar camarote. 
Juntando o fato de estar realmente stressada e saber que bala perdida é um coisa que existe numa festa dessa magnitide, eu já estava totalmente arrependida, mas não tinha como enfrentar a multidão sozinha. 
Houve um breve intervalo e as pessoas que estavam a nossa frente aproveitaram para fazer um lanche, me chamou a atenção uma criança brincando com as embalagens e fiquei imaginando porque não as teriam jogado no lixo.
Repentinamente todos correm para a mureta gritando desesperadamente, é o chiclete, é o chiclete!
Antes que podesse me aproximar para ver também, senti uma pressão forte em  minhas pernas e ao baixar os olhos vi o sangue escorrendo, minha irmã gritou o que foi isso? Alguém disse, um tiro! Eu gritei, meu Deus um tiro!!! - Foi um alvoroço, todos correram em minha direção e em fração de segundos estava erguida, totalmente confusa mas contando com a colaboração de todos, alguém ligou para a equipe médica do camarote, que junto ao corpo de bombeiros afastaram a multidão e me levaram para ambulância, colocando-me imediatamente soro e oxigênio, mas ao cortarem as pernas da calça que usava, eles não encontraram ferimento??
Como assim! E esse sangue todo? - Alguém perguntou se eu sentia dor e mexi o dedo indicador que não e imediatamente pensei, como não? - Só então lembrei de sempre ouvi falar que quando alguém leva um tiro sente apenas uma forte pressão e isso eu senti, mas será que não sentia dor depois? Eu não sentia...Achei que estava desacordada ou morta... entrei em pânico, meu coração desparou e senti um certo alívio mesmo sem saber ao certo se estava viva.
Nesse exato momento minha irmã que se encontrava obstruída pela multidão adentrou a ambulância  desesperada. Olhou para minhas pernas e não viu ferimento, olhou para o médico  e todos ficaram em silêncio, o médico resolveu cheirar aquelas gazes que eles pegam com uma pinça para limpar ferimentos. Olhou incrédulo para minha irmã e falou: Isso é ketchup!! - Ainda em estado de choque fomos nos movimentando lentamente, saímos daquele lugar muito constrangidas, sentamos juntos e ficamos tentando descobrir como tudo aquilo aconteceu, olhamos para o chão e escobrimos uma bisnaga de ketchup vazia e sem tampa bem próximo a um homem enorme que ao som de Chiclete com Banana pulava de um lado para o outro, na maior animação. É lógico que ele ao pular pisou na bisnaga  e a tampa seguida de todo ketchup, foram arremessados atingindo minhas pernas, mas a única coisa que me aconteceu foi machucado seguido por uma mancha roxa na canela.
O que eu perdi? - A calça, linda... branca com uma estampa floral, bem carnavalesca, e ver o Chiclete passar!! - Sou fã do Chiclete com Banana, melhor, sou uma tiete do Chiclete!
No dia seguinte acordamos cedo, afinal de contas eram oitocentos km para dirigir na volta pra casa, mas no café da manhã ao comentar o episódio, cada um com seus detalhes e versões diferentes, demos muitas e boas risadas.

PS. Tiete aqui no Brasil é um termo que substitui a expressão: Fã número um.

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