quinta-feira, 7 de julho de 2011

O BRASIL DO MEU FUTURO

 FUTUTO?




MEU FUTURO É AGORA!


                                  

Estou no futuro porque não sou dessa geração, sou daquela outra, estudei em escola pública onde tinha merenda e material escolar, mas numa época de ditadura, sem liberdade de imprensa, com censura, sem televisão e Internet e etc... e etc...
Hoje vivo o que naquela época seria o meu futuro. Acreditem, que não sou a única pessoal neste País que olha em volta e se questiona, mesmo com avanço da tecnologia, a globalização,  esse é o futuro que nos proporcionam os nossos Governantes, através de cargos  conseguidos com nossos votos?
Futuro para quem? - Não, esse não é o meu futuro,  porque para o dos meus filhos, eu comprei a um preço muito caro, paguei: curso de inglês, esporte e escola particular, comprei material escolar onde na lista continha uma infinidade de livros que mudavam todo ano, meu filho mais novo nunca pode fazer uso dos livros da irmã.
O que recebi de recompensa por estar no futuro, tendo que pagar impostos exorbitantes como: IRRF, IPTU, IPVA, ICMS, INSS. Que nos roubam qualidade de vida sem garantir uma velhice digna compatível com preço dos impostos, impôstos.
Descobri agora que durante mais quase trinta anos, que  paguei INSS plano de saúde  e fundo de pensão, para nada!!

Não me agrada de falar sobre política, como devem ter percebido, então vou lá no meu baú de memórias buscar uma história interessante para contar.

"Como enfrentar a pobreza e a desigualade" É o tema de uma relação  realizada pela UNESCO, sendo vencedora uma estudade Carioca.



"COMO ENFRENTAR A REALIDADE E VENCER A DESIGUALDADE"

Quando entrei no segundo grau, em um curso técnico de Pedagogia, como se falava na época (Hoje é Magistério). Com quatorze  anos de idade, precisando me deslocar para uma cidade  vizinha a que eu morava. Por falta de uma opção que o governo me deve.
A turma foi submetida a um teste de aptidão com uma aula prática, com o tema sorteado, a minha foi sobre germinação.
Preparei meu plano de aula, fiz um cartaz enorme, coloquei sementes de feijão para germinar em vários materiais como algodão e jornal umedecidos, terra e até vidro com água junto a uma batata doce para germinar na água.
Fui fazendo as experiências em etapas diferentes, para assim conseguir uma sequência lógica. Levei toda essa parafernalia para a sala e dei minha aula como quem está fazendo uma apresentação teatral.
No final a professora de Didática me chamou na Secretaria, me explicou que para concluir o curso eu teria que fazer um estágio de X horas no terceiro ano, e que eu tinha tirado a nota máxima em todos os pré requisitos do teste. Portanto me propôs ficar como suplente por  um ano dando aulas assistidas, numa turma de alfabetização de uma escola pública.  Ficando assim isenta do estágio na conclusão do curso.
Aceitei de pronto, mas pelo desafio, sei temer o estágio, sempre fui assim!
Minha turma tinha trinta alunos com idade entre seis e oito anos, sendo esse de oito anos uma criança com distúrbio hiperativo. Ele sozinho dominava a sala inteira. Saí da minha primeira aula desesperada e assim permaneci durante toda a semana. Na sexta feira a tarde fui a feira e lá estava ele. Quando me viu correu para me abraçar e logo me pegou pela mão para apresentar a mãe que vendia legumes em uma lona estendida no chão na qual ela estava sentada com mais umas seis crianças, inclusive uma no colo mamando.
Ele fez a feira comigo, me apresentou quase todos com orgulho dizendo, ela é minha professora! dava para sentir que aquele era seu reduto. Conversou sobre tudo e me ajudou com as sacolas, indo comigo até em casa comigo convidei para que entrasse, servi um lanche e ele repetiu três vezes.
Passei o domingo cuidando das tarefas da escola e fazendo meus planos de aula para a semana. Mas reflexiva, achando o comportamento daquele menino parecido com o de alguém que conheço.
Na segunda, preparei meu lanche para duas pessoas, já tinha reparado que ele nunca lanchava, apenas perturbava todos no recreio. Esqueci o apagador de giz de propósito na secretaria e pedi para que ele buscasse. Ele foi todo orgulhoso.
Naquele mesmo dia o elegi  meu assistente ele recolhia as tarefas, destribuia o materia didatico comigo, e passamos a  lanchar juntos.
Se tem uma coisa que atrapalha o bom andamento de uma aula, é o pedido dos alunos para ir ao banheiro o tempo todo. No dia seguinte sugeri que fizessem uma fila antes de começar a aula para ver se conseguiam ficar sem pedir até a hora do recheio. Assim foi, adaptei uma musiquinha e o adesão foi total. Na vez dele vi o xixi sair por baixo da porta. Numa hora oportuna falei para ele que era preciso usar o vaso sanitário, ele me olhou confuso, então indaguei, não tem vaso sanitário em sua casa?
Ele respondeu que não tinha casa!!!
Eram moradores de rua, quando ainda não existia chacinas da Candelária e locais como a (cracolandia) e por esse motivo estão todos vivos. E ele hoje é um bom comerciante como não podia deixar de ser.
O que aconteceu comigo naquele presente? - Mudei para essa cidade, fiz uma prova de seleção e passei, fui trabalhar no horário da tarde já que estudava a noite.
Então vejamos minha rotina: pela manhã era professora, a tarde trabalhava num escritório, a noite estudava e quando chegava estudava,  corriga tarefas e provas e fazia os planos de aula.
Me formei e fui cursar o quarto ano,  que dava direito a quarenta horas de aula.
Fui para Capital e fiz um curso do método Montissoriano, era uma turma formada por professoras com experiência, com a melhor nota, fiquei com única vaga que a escola oferecia. Fiz vestibular, mas meu pai me levou de volta para casa, alegando que faculdade não era futuro para mulher, imediatamente fez fazer uma nova seleção e passei a trabalhar em um Banco Privado, com a opção de plano de carreira fui me especializando no ramo onde segui carreira de executiva com muito esforço e dedicando sendo promovida. Fazendo os cursos que a empresa oferecia para me aprimorar no mercado financeiro no qual trabalhei como Gerênte Geral Sênior até dia dez de Junho deste ano. Chegando assim no futuro!
Nesta primeira semana em que desliguei o despertador e meus telefones não tocaram irritantimente, sempre com alguém stressado do outro lado, fiquei desnorteada,  agora com a mudança  feita, estou de malas arrumadas, voltando para morar no Nordeste, Projeto de aposentadoria realizado, e agora?
Olho em volta vejo meus filhos criados e independentes, com a sensação de dever cumprido penso: Fiz a minha parte!  Me orgulho muito de tanta luta, disciplina,sacrifícios, dedicação, estudo e muito, muito trabalho.
Vale lembrar que não era nem sou pobre, sempre tive casa para morar, carro na garagem, dinheiro para fazer todas as viagens que sonhei.
O nosso futuro de certa forma é uma escolha, penso agora, só a nos resta escolher a forma de inventar um novo outro futuro.







4 comentários:

carloslyra disse...

sensacional! tenho muito orgulho de vc tia! beijo!

Anônimo disse...

ROSÁRIO,

Muito bom!

Mas Presidente ou Presidenta:

Fui ao Google e vejam o que encontrei:

É possível, porém, que a nossa Dilma prefira ser chamada de PRESIDENTA seguindo nossa vizinha Cristina, que gosta de chamada na Argentina de LA PRESIDENTA.

Que dizer é que se ela preferir:)))))

Maria do Rosario disse...

Grande Carlinhos!

Finalmente, é prazer imenso ter você como admimirador.
Continue guerreiro assim, sempre.

Te admiro muito,

Beijos

Anônimo disse...

Rosário,

É tudo muito rápido, mas você amiga fez sua historia.
Muito tocante sua crônica e parabéns por ter essa percepção das coisas.
Não é a toa seu sucesso.

Um beijo enorme,
Carmem