quarta-feira, 9 de março de 2011

OS MUROS DO JARDINS

Vista de São Paulo

Abro a janela, vejo o horizonte, e sei que fui feliz aqui, mas sinto que  chegou a hora de soltar minhas amarras e seguir meu caminho, sem olhar para traz, seguindo em busca dos meus sonhos, pois construi minha vida com   muito esforço, mas com a esperança de ter um dia o merecido descanso, assim como o que um guerreiro precisa  após uma dura batalha.
Não consigo encontrar um meio termo nesse caminho, me parece que meu repouso se faz assim como o de um nômade que há em mim, sempre distante e solitário.
Sinto que minha casa é meu corpo ampliado. Sonhei poder um dia colher minha casa da cidade grande e planta-la no litoral de Alagoas, afim de que pudesse ouvir o silêncio ou apenas o farfalhar das folhas dos coqueiros.
Mas sigo só, não sabia que o meu amanhã seria esse hoje  surreal. O alto da minha colina é uma janela do vingéssimo quinto andar de um edificio, tudo que vejo  é este mar de cidade representado na foto acima, cidade que até gosto, mas que não dorme, e onde tudo acontece, portanto não encontro a paz desejada, mas não teria como ser diferente. Moro numa Alameda movimentada e barulhenta, com carros, enfileirados e sufocados em engarrafamentos. Olhando aqui de cima ao cair da tarde a visão é  luminosa e brilhante vinda dos farois que lampejam, como vagalumes atormentados.
O que eles fizemos de suas vidas, me questiono, penso que por temor se juntaram perto demais uns dos outros.
 E quanto tempo sera que esse medo pode durar,  porque os muros das grandes cidades nos manteram afastados de nossas essências.
Careço de uma casa sem muros agora, amadureci de tanto que sofri procurando me afastar.
Penso em tudo isso enquanto caminho pelas alamedas dos jardins e tenho uma curiosidade:
O que terá dentro dessas casas?
Que tesouro tem guardado atrás dessas portas trancadas?
Quizera tivesse a paz,  mas não é esse anseio tranquilo que revela tanto poder.
Na realidade tem a beleza que levam de seus corações para essas coisas feitas de madeira e concreto, denominadas de conforto, essa coisa furtiva que entra em suas vida como convidado, depoís se tornam hóspede e com o tempo senhor.
Por que não conseguem se livrar da insônia e do estress quando estão em suas camos, e seus lençois  os embalam para dormir, são os mesmos que os acordam na realidade dessa vida que existe fora dos seus portões, e é de dentro do conforto dos seus carros e através de suas janelas, que se deparamos nas ruas com realidade nua e crua, e que  ao obdecer a sinalização de transito param nas esquinas que assassinam os sonhos das crianças exploradas pela paixão do conforto da alma, zombando de seus sólidos sentidos.
Não quero mas para minha vida esse repouso inquieto, domado ou preso em armadilhas.
Sonho que minha casa seja onde eu puder estar, desejo apenas que seja simples, ampla e arejada. Preciso que tenha um jardim de verdade e que suas cores me inspirem como artista plástica, para que possa seguir pintando as coisas como eu as sinto e não como as vejo. Desejo também uma pequena horta,  e que dela eu possa colher os frutos da esperança, e que possa levar esses frutos para minha cozinha, e transformar-los em aromas e sabores de amor e ternura, e que a comida ali servida possa aquecer e alentar corações sofridos, mas que seguem confiantes e esperançosos porque acreditam no amor pela vida.
E que eu não perca minha capacidade de renascer,  para que junto a meus netos, possa novamente sorrir
um sorriso puro, fruto da felicidade da renovação da vida, que só se faz possível através das crianças!







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